Bento XVI «profundamente entristecido»
O cardeal Tarcísio Bertone transmitiu ontem em público as palavras de Bento XVI, desculpando-se pelo polémico discurso onde afirmava que Maomé só trouxera ao mundo «maldade e desumanidade».
O Papa mostrou-se «profundamente entristecido» e lamentou que a «algumas palavras do seu discurso tenham soado como ofensivas às sensibilidades dos muçulmanos», não sendo de forma alguma a sua intenção.
Embora a declaração tenha aplacado algumas vozes mais revoltadas, muitos líderes muçulmanos não o consideraram o pedido de desculpas exigido. «Ou se diz 'desculpa' a sério ou então não se diz de todo - será que o Papa está arrependido de ter falado ou terá sido apenas pelas reacções que causou?», afirmou à BBC Mehmet Aydin, líder religioso da Turquia.
A passagem do discurso do Papa que provocou a indignação muçulmana é uma citação de um Imperador bizantino que reprovava o Islão por usar da força impôr a sua fé.
O Papa terá pretendido fazer um apelo à não violência, que considerou uma «negação da natureza de Deus». No mundo muçulmano foi interpretado como um insulto ao Islão.
Freira assassinada na Somália
Tendo em conta as manifestações de profundo desagrado, a segurança do Vaticano foi reforçada. Apesar das explicações do Sumo Pontífice temem-se atentados contra as comunidades cristãs.
Na Somália, um país profundamente muçulmano, uma freira italiana foi assassinada e as autoridades creêm que crime está relacionado com os protestos contra o Papa. Dirigentes religiosos somalis pretendem aplicar a Bento XVI a lei islâmica (sharia).
O incidente com o Papa faz temer efeitos idênticos aos da polémica que envolveu os desenhos de um cartonista dinarmaquês caricaturando Maomé.
DG
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