segunda-feira, dezembro 12, 2005

Sentimentos


Há dias em que acordo triste e saudosa e, há dias em que só me apetece gritar para o Mundo que estou viva!
Nesses dias de maior tristeza e solidão, ponho-me a pensar que só podemos dar valor aos verdadeiros momentos de alegria e felicidade se tivermos passado por uma situação inversa... Será que sim?
Pensemos bem sobre isso...
Nas vésperas de um exame importante ou de uma entrevista de trabalho, o nosso corpo emite sinais de nervosismo e ansiedade que, nos podem levar a sentimentos tão extremos que sofremos em dobro por tal antecipação de males.
E eu pergunto: "Até que ponto é que somos culpados pela nossa própria alegria ou tristeza?"
Analisando os nossos mais íntimos pensamentos, sabemos que temos poder sobre os nossos estados de humor e espírito.
A nossa mente tem esse poder: pode actuar sobre o que vai no nosso coração e vice-versa.
Se estamos com com pensamentos negativos e rodeados de gente sizuda e com problemas, é meio caminho andado para nos sentirmos melancólicos, por arrastamento...
Se somos positivos e com bons pensamentos, tudo flui. Atraímos para perto de nós, sem nos apercebermos, pessoas que querem estar connosco... A partir do momento que estamos bem connosco, os outros perebem isso e querem estar perto de nós... Nunca repararam?
A nossa mente é forte e podemos controlá-la. Basta-nos a nós, cada vez que nos aparece alguma nova situação, escolher que caminho seguir, que estado de espírito adoptar e que sentimentos ter!
Sejamos positivos e sempre com pensamentos bons. Atrai bons fluidos e põe-nos bem-dispostos.
Escolhem um sorriso ou uma lágrima?

A separação...

As relações interpessoais, desde muito cedo, tomam proporções deveras interessantes nas nossas vidas.
Numa separação, a violência das emoções impera e domina-nos.
Passar do “eu” ao “nós” é um processo muito moroso e delicado, onde o sentimento de abandono repete-se.
O cordão umbilical que nos garante a segurança e a protecção afectiva é quebrado e, por instantes, sentimo-nos perdidos.
Contudo, a separação, em geral, faz-nos sofrer, mas faz-nos, igualmente, crescer e amadurecer. Porém, é importante relembrar que não temos que ter pressa para amadurecer. É um processo que leva tempo e cada um tem o seu.
Uma vez, disseram-me que uma pessoa constrói-se nas dificuldades da vida e não na perfeição das coisas. Isto explica-se porque qualquer tipo de separação é acompanhado de um virar de página e, uma forma de a superar é falar sobre isso e/ou escrever. Quer seja com alguém especializado na área, caso se justifique - psicólogo, psiquiatra ou psicoterapeuta - ou com alguém que nos oiça e apoie – um amigo, namorado ou familiar. Ainda é possível conciliar as duas coisas, pois dependendo do caso em questão é necessário o apoio profissional e das pessoas que nos são queridas e inspiram confiança... A escrita é mesmo considerada uma forma de terapia. É um complemento da psicoterapia, por exemplo e faz verdadeiros milagres...
Nas separações sucessivas há, constantemente, ecos da infância, mesmo que se procurem outras justificações plausíveis. Muitas vezes é difícil de aceitar a separação em si ou, até mesmo, entendê-la...
Concretamente na relação mãe/filhos, com a saída de casa dos mesmos, as mães sentem-se quase inúteis, segundo um ponto de vista psicossociológico. Há várias gerações que assim o é e, como é de conhecimento geral, os pais têm alguma dificuldade em desassociar a imagem de criança ao adulto que nos tornamos. A figura maternal constata que os filhos saem-se bem sem elas e, encaram isso como se nós (filhos) não precisássemos delas.
Mas, então pergunto: não é esse o objectivo final de toda a educação?
É um facto curioso, mas mesmo assim, existem sempre as ditas mães galinha que, por elas, nunca nos deixariam amadurecer e voar, coisa que até é saudável, ajudando-nos a crescer. Separar-se sem desligar-se dos laços afectivos é o caminho.
Quando nos separamos dos nossos pais (quando os filhos são já maiores de idade, claro!), esse afastamento, físico ou geográfico, faz de nós pessoas mais experientes, fortes e maduras. Ser do Funchal e vir estudar para Lisboa, fez de mim isso tudo e muito mais. Fez de mim uma pessoa melhor. O facto de estarmos longe dos que nos são importantes, faz-nos dar valor às mais pequenas coisas, às relações e, por conseguinte, às pessoas, o que não significa que seja fácil... É como se vivessemos num casulo a nossa vida toda e, de repente, libertamo-nos desse mesmo casulo e vamos à descoberta, até encontrarmos o nosso caminho, a nossa vocação. Até nos encontrarmos a nós próprios.
A separação acaba por ser uma espécie de catarse e uma grande lição de vida. Sem o apoio dos que nos são importantes, não seria possível dar-se esta transformação... Só assim tornamo-nos fortes e capazes de aprender com os erros que nós, também, cometemos.
No caso dos estudantes que vão para outra cidade, dá-se a separação da casa e das pessoas amigas e familiares. Há, então, a necessidade de fazer uma boa gestão do tempo e dinheiro, lidar com novas situações e fazermos as mais simples funções sozinhos é uma óptima preparação para o resto da nossa vida. Isto faz-nos ganhar uma certa confiança em nós próprios, faz-nos acreditar que somos capazes. É uma situação que todos nós nos dias de hoje, mais cedo ou mais tarde, teremos que passar.
Desligarmo-nos do tal cordão umbilical, darmos um passo em frente, amadurecemos, crescermos e ganharmos finalmente a nossa independência e autonomia. Uns formam uma base mais sólida, em termos de personalidade, que outros; uns são mais preparados que outros... Isso tudo depende de nós, somente! Podemos ter tudo ou ser nada...
Nos tempos de hoje, as relações à distância tomam proporções interessantes... Na nossa sociedade temos o caso dos professores que são obrigados a viverem, muitas vezes, longe das suas recém formadas famílias... Acabando, frequente e infelizmente, em divórcio. Vêm-se obrigados a irem para o sítio onde são destacados, pois o trabalho de professor, hoje, é quase um trabalho de nómada, enquanto não fica efectivo. Em suma: são casais de fim-de-semana, sem estabilidade emocional e sem incentivo no trabalho.
Eu trato a separação quase por “tu”. Desloquei-me para longe da minha família e amigos devido aos meus estudos e, força das circunstâncias estou, também, longe do meu namorado. As saudades são muitas e, frequentemente, perde-se o controlo do que sentimos... As proporções dos sentimentos tornam-se gigantescas... Surge uma carência afectiva e emotiva muito grande...
Sei, hoje, que só podemos ser verdadeiramente altruístas quando estamos bem connosco. Só podemos amar terceiros quando nos amamos primeiro.
Por estas razões e outras, tratem de cultivar a vosso amor próprio! A mudança faz parte da vida, que não é nenhum mar de rosas... A vida é, sim, uma rosa com muitos espinhos. Um entrelaçado de caminhos com altos e baixos. E só nos cabe a nós dar a volta por cima! E, encontrarmos o nosso caminho. O caminho certo.

Lições de vida

Um dia um bom amigo fez-me entender que não é pelo facto de um homem sentir um amor arrebatador por uma mulher, para ser o melhor para ela.
Pode ser realmente um amor grandioso, mas ter uns ciúmes doentios e, isso é o suficiente para nos prejudicar e fazer-nos infelizes...

Muitas vezes não nos contentamos com o pouco que temos... queremos sempre o que não temos e, muito provavelmente, será isso que nos leva à desilusão e à infelicidade. Regra geral, esquecemo-nos de valorizar essas poucas coisas que temos na nossa vida... Por isso digo muitas vezes que existem muitas pessoas que são felizes e nem se apercebem, porque não valorizam o que têm...
O dinheiro não é tudo. Esta é uma das melhores lições de vida. Todos nós conhecemos muito boa gente que tem dinheiro, uma boa casa e um bom emprego. Mas de que serve ter tudo isto se as pessoas são ocas por dentro, sem sentimentos puros? São más...
De que é que serve ter tudo e, no fundo, não ter nada? De que serve termos bens materiais se não somos felizes?
Para se chegar à felicidade é necessário passar por algum sofrimento, lutar pelo que queremos, mas sem passarmos por cima dos outros para atingirmos os nossos objectivos.
E, eu, acredito que a felicidade encontra-se nas pequenas coisas da vida... Nos pequenos gestos... Quantas vezes discutimos por coisas insignificantes? Quantas vezes damos importância a coisas que até nem são pertinentes?
Toda a gente tem a sua própria maneira de mostrar o que sente, é muito “sui generis”... Ás vezes não se torna imperativo dizer que gostamos uns dos outros, embora seja necessário, saiba muito bem e faça bem ao nosso ego. É possível demonstrar os nossos sentimentos e emoções com gestos, actos, olhares e palavras. Já há muito que oiço dizer que: “Um gesto vale por mil palavras”... E todos nós, concerteza, já vivemos demonstrações de carinho e amor e, sabemos bem o que isto é.
Frequentemente, ansiamos por palavras que, muitas vezes, são desconhecidas dos nossos companheiros ou, não tão importantes para eles (homens) como o são para nós (mulheres)... Outras vezes as pessoas são tão secas de sentimentos que não são capazes de dar o que quer que seja a ninguém; não sabem amar e enclausuram-se dentro de si mesmos...
Não é necessário dizerem-nos que amam-nos para sabermos que isso é verdade... Contudo, isso é, muitas vezes, esquecido. Poderíamos estar mais atentos a estas pequenas coisas, não? Só saíamos a ganhar... No entanto, relembrarem-nos que somos amados só nos faz bem, põe-nos com um sorriso na cara.
Ás vezes só complicamos o que é, na realidade, simples... E, só ficamos a perder com isso; nós é que ficamos no prejuízo... Fruto da nossa teimosia, talvez, ou por pura ignorância, se é que assim se pode chamar... Muitas vezes não queremos ver que erramos.
Todavia, se os conselhos fossem infalíveis, não andávamos aí a apregoá-los em alta voz.... Se fossem tão bons vendiam-se! O que quero dizer é que, muitas vezes, dedicamos muito tempo a tentar perceber as coisas, em vez de vivê-las. Devíamos dedicar mais tempo para nós, em vez de pensarmos tanto nos outros. Não devíamos viver tanto em função dos outros, quando devíamos estar a pensar em nós, somente...
Precisamos de nos sentir amados, mas quantos de nós esquecemos de nos amarmos primeiro de tudo? As coisas más acontecem a todos, mas não é por essa razão que nos vamos tornar rancorosos. Não podemos culpar o destino, quando somos nós que o construímos com as nossas decisões e caminhos que tomamos. É bom guardarmos os momentos bons, porque fazem-nos sentir bem, mas também não nos devemos esquecer dos maus momentos, pois são com esses que mais aprendemos verdadeiras lições de vida, as quais não esquecemos tão cedo, por serem marcantes... Das coisas más da vida é possível tirar sempre coisas positivas...
É bom não nos esquecermos de nós, do que nos rodeia, nem das coisas que mais nos dão prazer...
Eu... Eu voltei a escrever! E, escrever é o suficiente para traduzir o que me vai na alma... Sem compromissos.